Como os investidores podem contornar a variação cambial? Especialistas da Empiricus respondem

Desde o início de 2019 o dólar tem se mostrado instável frente ao real. A moeda estrangeira chegou a fechar o mês de setembro em R$ 4,18 e pela primeira vez na história fechou um mês acima dos R$ 4,00.

De acordo com Felipe Arrais, editor da Empiricus que o primeiro ponto a se considerar é o conceito de oferta e demanda, capaz de movimentar o mercado, desvalorizar e valorizar a moeda. O especialista diz que é preciso esperar para saber se o momento é bom para o mercado nacional e para a bolsa de valores, além de representar mais dólares chegando no Brasil.

Quanto mais dólares disponíveis maiores são as chances de sua cotação cair frente ao real. Entretanto, a situação contrária também pode acontecer — o mercado indo mal gera a fuga de capital, reduzindo a oferta da moeda norte-americana, aumentado sua cotação.

Vantagens e desvantagens

O editor da Empiricus listou as vantagens e desvantagens da variação cambial. Ele pontua que há mais pontos negativos na alta do dólar. O pior deles é o índice de desemprego, elevado com o aumento dos débitos das empresas com dívidas em dólar, que veem as demissões como solução para reduzir despesas.

Os produtos importados também ficam mais caro como um todo, gerando um “repasse cambial”. É um fenômeno em que os preços altos dos produtos importados influenciam em outros produtos, os chamados “substitutos”, cujo preço aumenta devido a demanda maior por esse produto.

Outro ponto negativo diz respeito ao aumento do preço do barril de petróleo, cotado em dólar. O aumento da moeda significa aumento no preço dos combustíveis e como o país é muito dependente do transporte via terrestre, acaba encarecendo os produtos básicos.

O editor da Empiricus explica que a média valor do transporte impacta de 30% a 40% no valor final do produto. Isso significa que todo esse aumento é repassado ao consumidor, limitando cada vez mais seu poder de compra.

Como vantagem, Arrais fala sobre o aumento da competitividade dos produtos brasileiros, que ficam mais baratos lá fora. O dólar mais forte representa um aumento nas vendas, gerando mais capital estrangeiro no país e maiores chances das empresas gerarem empregos.

Como contornar essa variação cambial

Para Felipe Miranda, co-CEO da Empiricus é possível reduzir os impactos da alta do dólar. O primeiro ponto a se observar é que não há bola de cristal e dessa forma não é possível prever uma alta ou uma queda. Nesse caso, o especialista propõe duas saídas, uma para investidores e outra para quem precisa de dólar para viajar.

Para Miranda o investidor deve ter algum ativo em dólar em sua carteira, assim é possível preservar seu patrimônio no médio e longo prazo. Arrais também enfatiza a ideia, acrescentando que a medida é importante para proteger os recursos em momentos de estresse. Para quem vai viajar para o exterior, o ideal é ir comprando dólares durante o período que antecede a viagem. Para o CEO da Empiricus, essa estratégia cria um valor médio favorável e evita os riscos da cotação estar muito alta no momento que for embarcar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *