Reforma da Previdência vai prejudicar brasileiros em estados onde a expectativa de vida é menor

O governo quando estabelece para a Reforma da Previdência  idades mínimas  de 62 anos para as mulheres e 65 para os homens, ele acaba desfavorecendo brasileiros que moram por exemplo em estados nordestinos, e também aqueles que moram principalmente nas periferias dos centros urbanos, segundo o professor da USP, Ruy Braga, especializado em sociologia do trabalho.

Ele ainda declarou que o principal problema entre as medidas propostas pela Reforma da Previdência, não é a idade mínima em si, mas sim as diferenças sociais, regionais e as desiguais perspectivas de vida associadas com as taxas de renda. Segundo o professor, devido às expectativas de vida nessas regiões serem menores, não vai existir uma aposentadoria provável para a maior parte das pessoas que moram nesses locais.

O professor lembra que a perspectiva média de vida no país é de 75,8 anos, mas que essa idade não mostra a realidade de algumas regiões do país. Um exemplo é o estado de São Paulo, onde a perspectiva de vida média dos homens é de 74,9 anos e das mulheres, é de 81,1 anos. Mas por exemplo no bairro de Parelheiros, localizado na zona sul da cidade, o Mapa da Desigualdade realizado em 2017 mostrou que a perspectiva de vida nesse bairro é de 59,9 anos, ou seja, muitas pessoas que moram ali não vão conseguir se aposentar.

Ao tentar aprovar a Reforma da Previdência, o governo precisa apresentar solidariedade com a parte da população que mais necessita do apoio da Previdência. O governo tem conhecimento de que com essa idade mínima, ele vai retirar não somente estados como Piauí, Alagoas e Maranhão, mas também a população que mora nos centros urbanos. A população brasileira precisa estar ciente que vai existir um corte imenso, das pessoas que não vão conseguir se aposentar devido às desigualdades sociais existentes no país.

De acordo com Eduardo Fagnani, professor de Economia da Unicamp, é certo que haja uma mudança na Previdência de vez em quando no país. O que segundo ele não é certo, é a maneira como isso está sendo realizado no país. Uma medida que vai mexer com cerca de 130 milhões de brasileiros, precisa ser discutida mais amplamente e não é isso que está acontecendo. Essa situação está manchando a democracia e o governo está promovendo um certo terrorismo com a população, já que ele afirma que sem a Reforma da Previdência o país poderia falir.

 

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