Maioria dos desempregados é de pessoas pretas ou pardas, afirma IBGE

Seis a cada dez brasileiros desempregados são pessoas de pele parda e preta, de acordo com dados mostrados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados em outubro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número equivale a 63,7% dos quase 13 milhões de desempregados no Brasil no terceiro trimestre de 2017. A população preta ou parda tem a taxa de desemprego em 14,6% acima da média nacional. Entre os brancos, essa taxa ficou em 9,9%.

Quando possuem emprego, pretos e pardos trabalham em piores condições e em atividades que exigem menor qualificação. “Eles (população preta ou parda) estão inseridos em atividades com menor qualidade, que exigem menor formação e, consequentemente, são grupos de atividades que pagam salários menores”, afirma Cimar Azeredo, que coordena o setor de Trabalho e Rendimento do IBGE.

O estudo incluiu informações sobre a desigualdade racial para abranger o Dia da Consciência Negra. Os dados mostram que quase 68% dos 1,8 milhões de brasileiros que trabalham na rua como ambulantes são pretos ou pardos. Entre os serviços do lar, como o de empregada doméstica, 66% são da população preta ou parda.

A Pnad revelou ainda que a renda média dos trabalhadores pardos e pretos, de R$ 1.531, foi quase a metade (55,5%) da adquirida pelos brancos, que registram cerca de R$ 2.757 no mesmo período. Segundo Cimar Azeredo, as pessoas pretas e pardas estão sempre em desvantagem no mercado de trabalho e enfrentam maiores dificuldades de ascensão na profissão. “São desigualdades que a gente já conhece, mas é sempre bom lembrar”.

Azeredo afirma que esses números sobre a desigualdade racial no setor de empregos são consequência de um processo histórico e cultural. “Claro que se avançou muito, mais ainda tem que se avançar bastante, é preciso oferecer à população de cor preta ou parda igualdade em relação ao que temos hoje na população de cor branca”.

O especialista do IBGE lembra que muitas pessoas da população preta ou parda não possuem acesso à educação, o que diminui seu poder de compra. Dos 23 milhões de empregados pretos ou pardos do setor privado, apenas 16 milhões trabalham com carteira assinada.

 

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